Alguns produtos são feitos com perfeição na Itália. Para outros, a capacidade artesanal e cultural pode estar no exterior. Não é nenhum segredo e não há nada errado em admiti-lo. Aliás, é justo declará-lo abertamente, com a segurança de quem conhece seus pontos fortes e, ao mesmo tempo, reconhece a força dos outros.
É este o espírito do projeto "Prada Made In". O grupo milanês selecionou quatro produções de excelência provenientes de quatro diferentes lugares do mundo, que serão etiquetados de modo transparente sob o logo: “Prada Milano made in.”
Os locais protagonistas da primeira fase do projeto são Índia, Japão,
Peru e Escócia, escolhidos pelo grupo milanês pela grande capacidade
manufatureira ou artesanal ou pela disponibilidade e familiaridade com matérias-primas
especiais.
Na Índia há uma tradição
bimilenar de bordados, e a Prada escolheu produzir uma coleção de
vestidos em laboratórios especializados em Chikan, uma arte que vem do
terceiro século A.C., caracterizada por motivos florais aplicados sobre
tecidos leves com fio de algodão. Um tipo de bordado que pode ser realizado
somente a mão e cuja técnica requer de 15 a 20 anos de prática.
Made in India é também uma linha de calçados e bolsas em
pele, realizada com a técnica – também neste caso multissecular
– de entrelaçados sobre formas de madeira.
O Made in Scotland indica uma excelência que não
existe na Itália. Desde o quarto século o tartan – antiquíssima
técnica de tecelagem da lã com um desenho específico –
é símbolo da identidade escocesa. A expressão mais evidente
e conhecida no mundo do tartan é o kilt, saia "envelope" que
a moda ciclicamente repropõe.
Do Made in Peru chega uma coleção de malhas de
alpaca, que os Incas chamavam de "ouro dos Andes" e que apenas o imperador
e os mais altos dignitários da corte tinham o direito de usar. Uma matéria-prima
incrível que não precisa ser tingida porque existem in natura 22
cores diferentes, e é elaborada pelos camponeses peruanos.
Do Made in Japan, produzidos por Dova, temos o mais sofisticado
produtor de denim em escala mundial, excelência entre as excelências
porque, como sabem os amantes dos jeans, é no Japão que são
elaborados e tingidos os mais incríveis tipos de denim.
Quando há alguns anos, na Itália e na Europa começou-se a falar de "made in obrigatório", Patrizio Bertelli, administrador executivo da Prada, foi o primeiro a destacar, juntamente com o valor do Made in Italy, o fato de que uma marca deveria ser garantia da qualidade de um produto, além da sua origem. Para isso falou de uma hipotética etiqueta "Made in Prada", que garante a originalidade estilística e manufatureira, independentemente do efetivo local de produção. Hoje aquela ideia assumiu a forma concreta e coerente, demonstrando que a vocação do estilo e das empresas de moda em um mundo globalizado é ajudar a superar barreiras não somente geográficas.
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