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20/01/2006


Feira Couromoda promove negócios de R$ 5 bi
e sinaliza ano de reposicionamento para indústria calçadista



Com um total de 64.300 visitas de lojistas, importadores e profissionais da indústria de calçados (contra 63 mil na edição anterior), encerrou ontem (19) em São Paulo, a 33ª edição da Couromoda, maior feira de calçados e acessórios de moda da América Latina.

O evento teve resultados muito positivos no mercado doméstico, com grande visitação de lojistas, interessados em conhecer as novidades que estarão nas vitrines do varejo a partir de março próximo. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Calçados (Ablac), a expectativa de vendas de calçados este ano é animadora, com previsão de crescimento de 5% em número de pares (podendo chegar a 550 milhões no ano) e 10% em valores (estimativa de R$ 23 bilhões). Foi grande também a presença de importadores à Couromoda. Neste mercado, no entanto, a indústria enfrenta dificuldades de vendas, devido à questão cambial. Na área externa, o esforço da indústria calçadista será para manter os números de 2005, quando foram exportados 190 milhões de pares, com faturamento de US$ 1,8 bilhão.

Francisco Santos, presidente da Couromoda, disse que a feira funcionou como um grande fórum de atualização do mercado calçadista com suas novas estratégias de vendas, depois de um ano de grandes dificuldades. “Os negócios realizados na feira e a partir deste evento são superiores a R$ 5 bilhões e vão influenciar todo o setor, pois é a partir da Couromoda que a cadeia coureiro-calçadista começa a se mover no novo ano”, disse ele. “A constatação que a feira nos deixa – prossegue Santos - é que 2006 será um período de reposicionamento e forte atenção ao mercado interno. Além disso, teremos que redobrar esforços para diversificar mercados externos e qualificar ainda mais o nosso calçado, visando ampliar vendas em nichos mais altos do mercado mundial e driblar a concorrência asiática”.

Aquecimento de vendas
Os quatro dias de feira movimentaram o mercado calçadista. Pequenas, médias e grandes empresas festejam o fechamento de contratos com compradores nacionais e internacionais.

No setor de calçados femininos, os resultados foram acima das expectativas. As marcas Siboney, Cravo & Canela, Claudina e Raphaella Booz comemoram os resultados alcançados na Couromoda 2006 com pedidos que garantem um mês de produção. “Fechamos negócios com 23 países, inclusive a Holanda”, afirma Wilmar Robinson, diretor de exportação da Siboney. A Cravo & Canela investiu em um estande com design arrojado e de grande visibilidade. A empresa recebeu a visita de 30 compradores internacionais. Já o empresário Pedro Bianco Filho, diretor da Claudina, importante fabricante de calçados femininos, com sede em Jaú/SP, disse que a edição de 2006 da Couromoda foi a melhor dos últimos quatro anos. Durante a feira, os negócios cresceram 50% em relação a 2005 e a empresa também começará a exportar para o Azerbaijão e todo Oriente Médio. A catarinense Raphaella Booz acrescentou à sua lista de exportações novos mercados como o Egito, Croácia e Canadá, além de atender compradores da Europa, USA e Oriente Médio que já são clientes consolidados. Segundo Ancelmo Júnior, gerente de exportação e marketing, há dez anos a empresa participa da Couromoda, mas essa edição foi especial. “Comemorar 40 anos de vida e superar todas as expectativas com a concretização de excelentes negócios, foi o maior presente de aniversário que recebemos. Nesta edição da feira conseguimos vender 100% mais do que no ano passado”, garante Junior.

A Bibi, empresa de calçados infantis presente em mais de 60 países, ampliou em quase 100% suas exportações durante a feira. Andrea Kohlrausch, diretora de exportação, confirmou a entrada da Síria em seu catálogo de exportação.

Calçados Galvani, detentora da marca Schio, fabricante de calçados masculinos, fechou sua participação na Couromoda 2006 com pedidos imediatos para um mês de produção e vendas encaminhadas para os próximos seis meses, conta Norival Galvani, presidente da empresa. No mesmo segmento, a Francajel registrou aumento nas vendas para mercado interno e externo. “Abrimos mercados na Grécia e Oriente Médio. Em território nacional, fechamos pedidos com as regiões nordeste e sudeste”, diz Tylor Hajel, um dos proprietários da marca.

A gaúcha Newland, de Novo Hamburgo, com 22 anos de vida, lançou a marca SAM ABDO de sapatos e bolsas e garante ter preenchido neste início de 2006, metade da capacidade de produção prevista para o ano todo. “Fechamos negócios na ordem de US$ 1 milhão com países como África do Sul, Turquia, Espanha, Estados Unidos e Chile. Foi absolutamente fantástico”, afirma o proprietário da empresa Samir Abdo.

A empresa de bolsas femininas Nisida, de Curitiba, aumentou em 500% o número de visitas em seu estande, em relação a 2005, grande parte devido às bolsas confeccionadas em ouro ou prata com pele de cobra python, cravejada de cristais Swarovski. O produto, no valor de R$ 25 mil, foi a atração da feira. “Vendemos cinco unidades para entrega imediata e fechamos contratos com compradores dos Estados Unidos, Inglaterra, Chile, Equador, Bolívia, África do Sul”, afirma Edi Santos – gerente comercial da Nisida.

Materiais diferenciados e design inovador foram as apostas dos pequenos empresários para conquistar públicos mais sofisticados. Duas empresas que trabalham com peles raras e nobres de animais exóticos (comercialização autorizada pelo IBAMA e órgãos especializados internacionais), escolheram a Couromoda para lançamento de suas grifes. A Marcello Marcellino, de Campo Grande/MS, especializada em bolsas exclusivas, participou pela primeira vez da feira e comemora os resultados. “Foi um sucesso absoluto o lançamento da nossa marca no Brasil, uma vez que só trabalhávamos no exterior”, garante Marcello Marcellino, designer e titular da grife. “Apenas nos quatro dias de feira conseguimos 30% a mais do que normalmente faturamos por mês e ainda abrimos novas frentes de vendas na Espanha, Canadá, Japão e China”, finaliza entusiasmado.

Outro setor que registrou resultados positivos na feira foi o de fabricantes de componentes para calçados. Reunidos numa rodada de negócios organizada pela Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) e APEX-Brasil, com apoio do SEBRAE, estes empresários receberam industriais de calçados do Brasil exterior. Somente para seis distribuidores do Peru e Equador encaminharam exportações de US$ 1 milhão.

A IMPEC, empresa especializada em palmilhas, calceiras e acessórios para conforto dos pés, abriu novos mercados no Rio de Janeiro, São Paulo e toda a região sul do País. “Vendemos 18 mil pares de produtos, entre palmilhas e as calcanheiras, um número expressivo para quatro dias de evento. Conquistamos os mercados da Bolívia, Peru, Colômbia e Alemanha, além de consolidar as vendas nos principais Estados brasileiros”, comenta Orlando Gomes, presidente da empresa.

 

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