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04/09/2008


Mercado de calçados perde Thomas Bata,
um dos maiores nomes do setor



Por Lorenzo Raggi, Fotoshoe Milano

Esta semana o setor de calçados recebeu a notícia de uma grande perda. Faleceu no primeiro dia de setembro, em Toronto, sua cidade de adoção onde vivia desde muitos anos na companhia de sua esposa, Thomas John Bata, aos 93 anos.

Bata pode ser considerado um cidadão do mundo, um homem que deixou seu legado tanto na América como na Ásia, na Europa ou na África. Aos 18 anos, com a morte de seu pai ainda jovem em 1932, ele assumiu o comando do império fundado em 1894. Desde então foi sempre o símbolo, o ponto de referência, o “grande” homem da mais importante companhia de calçados no mundo.

A família Bata é originária de Zlin, cidadezinha da Moravia, onde tudo se refere à Bata: da fábrica daquele tempo, com aproximadamente 80 edifícios, ao hotel construído pelo fundador para receber seus hóspedes, até as casas para funcionários, à “Villa Bata”, casa natal de Thomas e hoje sede da “fundação Bata”. E foi exatamente em Zlin, que a Bata tornou-se uma empresa de nível mundial nos anos 30. Depois veio a guerra, o nazismo, o comunismo e a decisão de transferir a sede da empresa para Toronto. A partir de então, Thomas Bata assistiu às mudanças não apenas no mundo, mas na sua companhia que foi sempre orientada, especialmente nos últimos anos, para o ”retail”, mantendo somente um número limitado de fábricas próprias.

Tive o privilegio de encontrar Thomas no final de junho de 2008, em Padova. Na ocasião conversamos não sobre o passado, mas do futuro, sobre os jovens, sua vontade de fazer, mudar, renovar a empresa que leva o seu nome e, talvez, de ainda mudar o mundo. Thomas Bata era assim: um incurável otimista, pragmático e, ao mesmo tempo, decisivo.

Eu o conheci muitos anos atrás, por ocasião de um encontro em Milão do qual participava Giovanni Agnelli, então presidente da Fiat e da Confindustria; foi quando me apresentei e pedi uma declaração sobre os problemas daquela época: ele sorriu e me disse “desculpe-me, vou cumprimentar o advogado e volto já…”. E assim foi. Desde então, nos encontramos com freqüência, em ocasiões não oficiais, mas também em momentos importantes para sua vida e sua empresa.

Um destes encontros foi em Praga, em 1994, para a celebração dos 100 anos de fundação da Bata Shoe Company. Na época, Bata falou, sobretudo, dos próximos cem anos: o passado não o interessava tanto, o amanhã estava ali e era preciso sempre inventá-lo, interpretá-lo, vivê-lo. Depois falou sobre a Itália e sua relação pessoal com este país produtor de calçados por excelência, onde o estilo, a moda, a técnica de construção do calçado sempre foram familiares. Thomas Bata amava a Itália e tinha uma grande consideração aos homens italianos que com freqüência chegaram aos vértices da empresa. Mas todos, italianos ou não, sempre consideraram Thomas Bata como o “capo”.

Caro Thomas, por uma vez permito-me tratá-lo com intimidade e cumprimentá-lo com muito afeto… e se os anjos usam sapatos, então onde você terá muito que realizar, trabalhar e sorrir.

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