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25/09/2007
Brasileiros triplicaram negócios
na Micam
De 21 a 23 de setembro, os expositores brasileiros triplicaram o volume de
negócios em comparação à Micam de setembro do ano
passado. Segundo levantamento da Abicalçados, os pedidos gerados na feira
somaram US$ 7,6 milhões, contra US$ 2,5 milhões em 2006. As empresas
brasileiras contabilizaram mais de dois mil contatos, com visitantes de 66 países.
A projeção para os próximos 12 meses, é de que sejam
gerados mais US$ 271 milhões. “Este resultado reflete os esforços
das empresas nos seus investimentos em marca, design e na busca de novos mercados’’,
avalia Vivian Laube, assessora de marketing do programa Brazilian Footwear, da
Abicalçados em parceria com a Apex/Brasil.
Na próxima semana, dias 27 a 29 de setembro, brasileiros também
participarão da Modacalzado, em Madri, Espanha. O Brasil terá a
presença de 14 expositores, cinco com espaço coletivo, no Pavilhão
8 e o restante em estandes individuais.
Histórias de sucesso
Seguindo o caminho inverso do modelo tradicional de exportação,
onde o cliente dita os parâmetros de preço e quantidade, algumas
empresas brasileiras estão tendo bons resultados. Estes resultados foram
conferidos durante a última edição do Micam Shoe Event.
No
estande da Havaianas, era visível o interesse de todos
os visitantes em ver de perto um dos ícones do calçado brasileiro.
Para Sérgio Sanches, gerente de exportação para a Europa
da São Paulo Alpargatas, a alternativa é investir no conceito de
uma marca, como aconteceu com a própria Havaianas, que este ano deve colocar
no mercado mundial, inclusive o Brasil, cerca de 150 milhões de pares,
sendo que cinco milhões serão destinados ao mercado europeu no próximo
verão, indicando um incremento de 30% sobre a temporada passada.
“Nós optamos por não brigar por preço no mercado internacional.
A Havaianas tem um público consolidado, que aceita pagar pelo valor intrínseco
da marca”, comenta Sérgio Sanches.
Atualmente são 16 distribuidores na Europa e venda para 80 países.
É o resultado de uma ação iniciada em 1994, quando a empresa
observou que o interesse pelas sandálias estava reduzindo. “Só
ter moda não era o suficiente. Era preciso encontrar a forma de atingirmos
o ponto de venda e de nos comunicar através da publicidade”, lembra.
A grande expansão na Europa aconteceu em 2001, quando a Havaianas conseguiu
disseminar o espírito do produto, traduzindo o espírito brasileiro.
A participação na Micam também é um sinal das mudanças.
Antes, era através do agente, agora, o estande passou a ter personalidade
e local próprios. Só no primeiro dia da mostra, recebeu mais de
100 novos contatos, sendo a maioria da Itália, país que é
seu principal comprador na Europa. “É um exemplo de que podemos crescer
muito mesmo em países consolidados”.
A
Calçados Bibi (Parobé/RS) é outra empresa
de grande porte que não abre mão de continuar no mercado internacional.
Nos últimos anos, intensificou os investimentos em calçados infantis
diferenciados, sejam em design ou apelo tecnológico. O mais recente lançamento
da empresa, a linha Big Jump (que permite que a criança dê saltos
e caminhe com se estivesse na lua), chegará às lojas estrangeiras
ao preço de 80 a 99 Euros o par. A estimativa inicial é de produzir
mais de 80 mil pares da linha ainda este ano, garantindo uma produção
de 3,6 milhões de pares para um faturamento entre R$ 120 milhões
a R$ 125 milhões.
A intenção, segundo a gerente de exportação, Andréa
Kohlarusch, é buscar canais alternativos de distribuição,
mesmo mantendo os lojistas com atitude mais conservadora. “Estamos buscando
mercados não tradicionais, que também desejam oferecer artigos exclusivos
para o seu consumidor. Além do Big Jump, a Bibi quer consolidar o Skatenis,
o tênis com rodinhas lançado no ano passado no Brasil e que agora
passará a ser vendido na Argentina. Aos poucos, a empresa também
projeta solidificar a linha Bibi Eco, cujo cabedal é feito em couro sem
cromo, adesivo a base de água e que leva 55% de resinas biodegradáveis
e sola 50% em borracha natural. O cadarço, a linha e o forro são
em algodão 100% natural e as ilhóses (onde se passa o cadarço)
são em alumínio reciclável”, conta Andréa Kohlarusch.
Já
a Calçados Democrata (Franca/SP) optou por vender, junto
à modelagem, serviços e imagem. A empresa, que produz dez mil pares/dia
e exporta 50% deste volume para 60 países, descobriu no pós-venda
e no design o caminho para manter o cliente em tempos de dólar desvalorizado.
Com 24 anos de existência, há dez que a Democrata vem explorando
a marca no mercado internacional.
“Decidimos oferecer ao cliente uma coleção pronta, sem necessidade
de ajustes. Isto gera confiança de que o produto vai girar’’,
assinala Cícero Castro, responsável pelas exportações
da Democrata na Ásia, Oceania, África, Europa e Canadá.
A empresa vende para 60 países, o que é considerada uma situação
complexa para o trader, porque cada cultura tem uma filosofia diferente e a coleção
tem de ser apenas uma para todos. “Quando o grupo de criadores desenvolve
uma linha, tem de observar a diversidade dos compradores. Acredito que estejam
fazendo um excelente trabalho, porque todos aceitam muito bem as nossas propostas’’.
Segundo Castro, hoje o maior patrimônio da Democrata é a própria
marca, que vem se consolidando, no seu segmento, como uma global brand.
Com
45 anos de fundação, a Ramarim (Nova Hartz/RS),
passou a atuar com mais expressividade no mercado internacional a partir de 1999,
quando fez os primeiros embarques para a Argentina. Desde então, vem acompanhando
os altos e baixos das exportações de calçados que o Brasil
vivencia. “O setor passa por ciclos, com quedas e aumentos, devido a ausência
de uma política mais séria para as exportações, mas
não abrimos mão de nos consolidar no exterior”, assinala Magale
Kisch, gerente de exportação.
Atualmente das 40 mil pares produzidos por dia em unidades no Rio Grande do Sul
e Bahia, 15% são exportados. O foco nos serviços prestados aos importadores
é destacado como uma das razões da manutenção do volume
embarcado para 40 países.
Segundo ela, a empresa realiza periodicamente reavaliações internas,
analisando o sistema produtivo, reduzindo custos para evitar repasses de preços
para os compradores. Atualmente, 60% da produção é feita
em couro e há dois anos decidiu investir maciçamente no conceito
Total Confort, uma linha de calçados femininos com matérias-primas
especiais, que tem o Certificado de Conforto conferido pelo Instituto Brasileiro
de Tecnologia de Couro, Calçado e Artefatos, o único do mundo a
ter normas para detectar o conforto de sapatos.
Sem intermediários
Uma das mudanças mais significativas está acontecendo no
processo de distribuição. Um dos exemplos mais significativos talvez
seja o da GVD International (Campo Bom/RS). Considerada uma das grandes agências
de exportação do Vale do Sinos (RS), com 27 anos de atuação,
há dois anos mudou o foco, criou marcas próprias e passou a vender
direto para o lojista, sem intermediários.
“Ser agente de terceiros não é mais negócio para o
mercado brasileiro. O Brasil tem todas as condições para manter
marcas no mercado internacional”, defende Wagner Kirsch, diretor comercial
da GVD.
Mesmo não sendo fábrica, a GVD é responsável pela
produção de cerca de 25 mil pares/dia, distribuída entre
várias parceiras no Rio Grande do Sul. “A estratégia que hoje
a GVD faz garante trabalho para estas indústrias, o que poderia não
acontecer se ainda estivéssemos atrelados aos clientes de private label”,
diz Kirsch. O segredo está, segundo ele, na maximização da
produção de uma única linha, vendendo quantidades expressivas
para um cliente ao mesmo tempo em que fecha pequenos volumes para lojistas exclusivos.
Mesmo com a mudança de foco, a GVD continua tendo a Inglaterra como o principal
comprador, ranking que aquele país mantém há 27 anos. Além
de atuar forte na França e Espanha, iniciou na Micam a entrada na Itália
e projeta agredir a Ásia. “Eu acredito que o Brasil está aprendendo
a caminhar com as próprias pernas. Mesmo as empresas de grandes volumes
podem abrir mercados com suas marcas e estratégias”, ensina o executivo.
Outra
empresa que avança no mercado externo é a Beira Rio.
Com uma produção mensal de dois milhões de pares, embarca
hoje 10% deste volume para 47 países. Mas o objetivo agora é intensificar
a participação das marcas Vizzano e Toccado em países como
Irlanda, Holanda e Suíça, mercados abertos na Micam.
Para Fabiano Pizzato, representante para a Europa e Ásia, o mercado mundial
de calçados agora está organizado, após a “poeira chinesa”
ter baixado. Os produtores mundiais definiram seus níveis de preço
e o varejo europeu sabe o valor real de um sapato produzido na China, no Brasil
ou na Itália. “Na Micam, o lojista não vem disputar preço.
Para alguns deles, trabalhar com produto chinês não compensa o custo
para manter a loja. Em outros países pode ser diferente, mas na Europa,
o varejo enxerga os cenários e neste momento o Brasil deve se consolidar
como fabricante de moda”, diz Pizzato.
A
Klin (Birigüi/SP) também reagiu à queda nas
exportações. Com a diminuição de compras por parte
dos grandes importadores, passou a buscar outras alternativas, atuando diretamente
com as redes de lojas, sem a interface dos distribuidores, além de renegociar
a comissão de agentes. A empresa optou por manter a rentabilidade e reduzir
a quantidade exportada. “Não tem como trabalhar com prejuízo”,
assinala Thiago Guimarães, gerente de exportações para a
Europa e África. Com uma produção de 40 a 45 mil pares por
dia, a empresa atende pedidos acima de dois mil pares. “A estrutura da fábrica
tem um custo muito alto para aceitar um volume menor. E como acertamos a coleção
desta temporada, se o dólar estivesse com um valor adequado, teríamos
vendido muito bem”, lamenta.
A maioria dos expositores brasileiros no Micam tiveram apoio financeiro do Programa
Apex/Abicalçados.
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