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16/08/2007

Exportações de couros somaram
US$ 1,12 bi no semestre

O couro já é um dos principais itens da pauta de exportações do Brasil. Os embarques somaram o valor recorde de US$ 1,12 bilhão no primeiro semestre deste ano, superando em 12% as exportações de calçados, que totalizaram US$ 998 milhões no período, conforme cálculos do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).

O desempenho do setor, positivo à primeira vista, está ameaçado por uma série de fatores estruturais e conjunturais, adverte o diretor-executivo do CICB, Luiz Bittencourt. “As exportações no primeiro semestre do ano cresceram 30% em receita, mas aumentaram apenas 4% em volume físico. Ou seja, o aumento foi resultado da alta dos preços internacionais do couro”, explica ele.

Outro aspecto preocupante é o elevado peso do couro wet blue sobre a pauta de exportações. “O wet blue é a commodity do couro. Trata-se de um produto primário. O Brasil precisa investir mais no aumento das exportações de produtos acabados, de maior valor agregado”, diz Bittencourt.

Esse quadro é agravado por dois outros fatores: a queda do consumo de couro no mercado interno – o que estabelece perigosa dependência do mercado externo – e a sobrevalorização do real em relação ao dólar, que tolhe a competitividade do produto brasileiro. “Se esse cenário não for alterado, corremos o sério risco de passar por um processo de desindustrialização da cadeia produtiva do couro”, adverte o diretor-executivo do CICB, que destaca a importância do segmento: o setor emprega 45 mil pessoas, movimenta um PIB de US$ 3 bilhões e recolhe quase US$ 1 bilhão anual em impostos.

Para reverter esse quadro, o CICB está propondo três medidas.

- Alocação dos recursos provenientes do recolhimento do imposto sobre a exportação do couro wet blue, de 9%, para o financiamento de máquinas e equipamentos para o acabamento de couro pelas indústrias que atualmente só processam o couro até o estágio de wet blue.

- Desoneração da importação de peles de caprinos e ovinos, medida importante porque a produção interna, da ordem de 7 milhões de peles, não atende à demanda das empresas, cuja capacidade de processamento é de 12 milhões de unidades. “Os curtumes estão operando com 40% ociosidade, em uma região carente como o Nordeste do Brasil”, diz Bittencourt.

- Maior agilidade na devolução dos réditos gerados na exportação. “A demora no repasse destes créditos compromete seriamente o capital de giro das empresas e tem provocado crescentes preocupações no setor”, conclui o diretor-executivo do CICB.
 
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