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18/05/2010

Empresas precisam inovar e acompanhar as mudanças da sociedade

O segundo dia do VII Simpósio Brasileiro de Biomecânica do Calçado teve início com a palestra Dinâmica tecnológica e inserção de consumo: oportunidade ou ameaça? com a Dra. Susana Kakuta, diretora de Inovação e Tecnologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e gestora do Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos).

Doutora em Relações Internacionais e especializada em mercado japonês, Susana destacou a necessidade das empresas investirem ao menos parte dos recursos em produtos totalmente novos, que irão criar valor junto aos clientes e, ao mesmo tempo, gerarão resultados financeiros. “Sabe-se que a inovação incremental, de risco menor, é importante para as empresas e deve ser mantida. Mas uma faixa de inovação radical, com o lançamento de produtos totalmente novos, tem um potencial de retorno muito maior”, enfatizou a palestrante, mostrado um gráfico comparativo entre os dois tipos de inovação.

Susana citou situações comuns vividas pelas empresas, como o fato de demandas urgentes por parte de clientes e vendedores absorverem os escassos recursos de desenvolvimento, assim como outros fatores que dificultam os investimentos em inovação: priorização de objetivos de curto prazo, redução de riscos e falta de apoio interno na alocação de recursos para objetivos ambiciosos de crescimento.

“É preciso saber que tipo inovação se quer e planejar ações que levem à Inovação, com I maiúsculo, capaz de gerar grandes resultados”, disse a diretora da Unisinos. A palestrante mostrou uma pesquisa feita com 500 consumidores destacando os atributos de inovação percebidos na marca de calçados esportivos Nike, que, nos últimos dez anos, investiu em inovação radical e é reconhecida, hoje, como sinônimo de tecnologia na área, colhendo os altos frutos destes investimentos.

Ao final, a Dra. Suzana Kakuta apresentou dez tendências de consumo em calçados para os próximos anos, destacando o aumento do público infantil e da chamada terceira idade nas decisões de compra, entre diversos outros fatores a serem observados pelas empresas.

1. Consumo precoce
O Brasil possui cerca de 40 milhões de crianças de zero a 14 anos, que consomem cerca de R$ 90 bilhões ao ano. Destas, 44% têm celular e 82% exercem influência sobre as compras familiares de calçados e confecções. Objetos de desejo as induzem à compra, sobretudo de produtos mais caros. Este público possui novos valores e facilidade de absorção de tecnologia, tornando mais curto o ciclo de vida dos produtos.

2. Importância da responsabilidade social e consumo de ecossoluções.
O segmento cresce 17% ao ano no Brasil e determina mudanças nos padrões dos produtos e de engenharia da cadeia de suprimentos. No calçado, os materiais sustentáveis já estão presentes e, nos próximos anos, seu crescerá significativamente.

3. Ênfase na singularidade
Os produtos de massa disputarão cada vez mais espaços no mercado com os produtos individuais. No caso do calçado, o conceito build my shoe (cria meu sapato) ganhará maior destaque.

4. Prioridade à saúde
O Brasil já possui maior número de academias do mundo e 25,6% população brasileira já têm plano de saúde. A biomecânica do calçado ganha importância, levando ao desenvolvimento de calçados com tecnologia de conforto, cada vez mais valorizados pelos consumidores. Calçado assume maior papel como parte do modo de se vestir e novos nichos diferentes se evidenciam.

5. Retorno aos valores tradicionais
Conflitos e ajustes serão evidentes enquanto se avança tecnologicamente. É necessário revisitar modos e hábitos do passado e utilizar seus aspectos positivos. A agregação tecnológica será acelerada e mix de produtos será cada vez mais temporal.

6. Preocupação com estética e aparência
Brasil já é o quarto país em gastos com beleza: R$ 15 bilhões ao ano. Cada vez mais, se evidenciará a dualidade entre estética e saúde e a valorização da beleza nos detalhes.

7. Aumento da população homossexual
Hoje, há 18 milhões de pessoas no segmento. Em 2020, serão 33 milhões. Isso levará a uma segmentação crescente do mercado.

8. Novos arranjos fabris
No Brasil, temos 8 milhões de casais sem filhos. Isso implica em novos hábitos de consumo, determinando mudanças no modelo de produção de alguns segmentos.

9. Convivência entre o global e o local
Apesar da globalização, haverá grande crescimento das especialidades locais, voltadas à satisfação de necessidades específicos dos consumidores.

10. Novos modelos de compras
50% dos consumidores paulistas já fazem compras pela internet. Crescerão cada vez mais as redes sociais, as compras pela internet, as redes de vendas e a busca por espaços de compra seguros.

Por Milton Grabin, de Novo Hamburgo/RS


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