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03/08/2010

Consumidor, moda brasileira e mídia online são temas de mesa-redonda




O salão Inspiramais encerrou na última semana com uma mesa-redonda abordando o tema “Varejo em ação”. O objetivo foi reunir representantes dos três setores: componentes, indústria e varejo para analisar e debater temas de interesse do mercado da moda.

Paulo Borges, presidente do Grupo Luminosidade, empresa responsável pela organização do Fashion Rio e São Paulo Fashion Week, fez o papel de mediador.
Na mesa-redonda estavam presentes Antoniel Marrachine Lodelo, diretor da Azul Calçados; Ariano Leite Novaes, gerente de marketing do Grupo Amazonas; José Oscar Constantino, diretor do Grupo Oscar Calçados; Mario Hugo Mossman, gerente de produto da Opanka, Vulcabras e Azaléia; Nivaldo Aparecido Hernandes, diretor da Daleph Calçados; Paulo Kieling, diretor de marketing da Via Uno; Rafael Schefer, diretor de mercado da West Coast/ Cravo e Canela; e Ubiratan Lapa Mari, diretor da Dublauto Indústria e Comércio.


Consumidor em foco

Entre os temas debatidos o consumidor ganhou destaque. Segundo os profissionais da mesa debatedora, uma das dificuldades apresentadas no mercado se refere ao reconhecimento do desejo do consumidor. “Sou do setor de componentes e tenho dificuldade em saber se aquilo que estamos desenvolvendo vai suprir a expectativa do consumidor”, declarou o diretor da Dublauto Indústria e Comércio, Ubiratan Lapa Mari.

Como resposta, Ariano Leite Novaes, gerente de marketing do Grupo Amazonas, declarou que: “Somos mais acertivos quando desenvolvemos o produto em parceria com a outra ponta da cadeia, no caso o consumidor”.

Já a indústria afirmou que para encontrar essa resposta existe apenas uma saída: fazer pesquisa. “Somente assim é possível identificar o consumidor, saber como ele enxerga a marca e ainda descobrir as tendências de consumo. Fazemos isso com frequência e identificamos que a aquisição de um calçado ocorre por impulso. O papel da marca é dar sustentação à escolha”, alertou o diretor de marketing da Via Uno, Paulo Kieling.

Para o varejo esse conhecimento também é vital, inclusive porque não é viável oferecer todos os produtos da indústria. A escolha de cada calçado deve ser feita com base no consumidor daquele ponto-de-venda. “Meu público vai das classes C a E, e preciso ter um produto voltado para este segmento, com apelo de moda. Costumo dizer que não vendo produto, mas sim moda, caso contrário vira commodity. A ideia é que o cliente vá até minha loja e identifique investimento no ponto-de-venda e atendimento diferenciado, já que ele valoriza essa preocupação”, disse Antoniel Marrachine Lodelo, diretor da Azul Calçados.

Em lojas multimarcas a dinâmica é diferenciada. “A indústria vai precisar definir os canais de distribuição, pois o calçado que vende em uma loja de rua não é o mesmo que lidera o número em um shopping, por exemplo. Esse objetivo que precisa ser atingido pelo setor de calçados masculinos e femininos, já é uma realidade no segmento esportivo, que tem uma política diferenciada com pré-vendas”, explicou Oscar Constantino, diretor do Grupo Oscar Calçados.


Processo criativo

O moderador Paulo Borges colocou em discussão a recente declaração da editora da revista Vogue Itália Franca Sozzani ao portal FFW, dirigido pela Luminosidade. Franca declarou que não reconhece um estilo brasileiro.

Mario Hugo Mossman, gerente de produto da Opanka, Vulcabras e Azaléia, afirmou que existe um trabalho liderado pela Abicalçados com o enfoque no desenvolvimento dos calçados com base na cultura brasileira. “Não vejo a sobrevivência do setor se a gente continuar fotografando as vitrines europeias para copiar e customizar os modelos. Porém, para instaurar mudanças será primordial o alinhamento de toda a cadeia produtiva, incluindo o varejo”, destacou Mossman.

Enquanto para Paulo Kieling, diretor de marketing da Via Uno, é possível sim reconhecer um calçado brasileiro no exterior. “Vamos definir qual é a cara do povo brasileiro? Para o calçado vale a mesma ideia. Nas feiras brasileiras Couromoda e Francal é possível conferir a diversidade existente no setor, e essa é uma característica difícil para qualquer outro país. O nome do Brasil ainda não está formado, mas o país já é uma referência em qualidade, prova disso é que os italianos compram o nosso couro para acabamento”.


Sustentabilidade

Outro tema em questão foi a sustentabilidade. Segundo os convidados, já existe no setor o reconhecimento deste tema como uma tendência de consumo. Quem já se aventurou por este novo mercado, confessou que como toda a novidade não se trata de um processo fácil.

“Há um ano criamos a marca Natureza que ainda encontra certa dificuldade para penetrar com as linhas ecológicas. Um paradoxo, pois a marca foi desenvolvida com esse propósito, mas ainda é a que apresenta mais dificuldade na comercialização. No entanto, essa é uma tendência e em breve isso será revertido”, completou Paulo Kieling.

Algumas empresas que ainda não investiram nesse segmento já estudam as possibilidades. “Sabemos que esse é um caminho sem volta, mas ainda temos dificuldades em viabilizar a sustentabilidade em nossa marca. O desejo da indústria não é apenas entregar um produto que pareça sustentável, mas que ele tenha de fato esta característica”, afirmou Rafael Schefer, diretor de mercado da West Coast/ Cravo e Canela.


A importância da mídia eletrônica

O setor de calçados já reconhece as oportunidades que a internet e as mídias sociais oferecem. “É preciso ter foco e identificar qual é a melhor opção”, alertou Paulo Kieling. “Nosso investimento em mídia eletrônica ainda é recente, do ano passado, mas nosso site já contabiliza 300 mil acessos mês”, complementou.

Outro exemplo é a proximidade obtida pela Cravo e Canela com as consumidoras por meio da mídia social. “A Cravo e Canela já está no Facebook e usa esse recurso para efetuar pesquisas com as consumidoras. No ano passado, convidamos 15 meninas, clientes, para avaliarem a nossa coleção. Essa ferramenta representa a oportunidade de cortar caminho para se comunicar de maneira direta com a cliente”, revelou Rafael Schefer.

Para o varejo, a internet também é atrativa. “Na loja física as prateleiras são finitas, já no e-commerce não existe problema de espaço, as prateleiras são infinitas para quem se propõe, inclusive, a vender para vários nichos, mas isso ainda não é uma realidade no varejo brasileiro”, comentou Oscar.

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