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03/09/2010

Exportações de couros crescem e podem fechar ano em US$ 1,7 bilhão


As exportações brasileiras de couro devem crescer mais de 50% este ano – podendo chegar a US$ 1,7 bilhão – e voltar em 2011 ao recorde de 2007, que foi de US$ 2,2 bilhões. A afirmação é do presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Wolfgang Goerlich.

Conforme o executivo, as vendas externas de couros somaram US$ 873 milhões nos seis meses deste ano, registrando um aumento de 77,44% em relação ao primeiro semestre de 2009. “A despeito da ocorrência dos novos problemas financeiros ocorridos nos mercados internacionais, com foco na crise da União Europeia, a indústria brasileira registrou bom desempenho no período”, avalia Goerlich.

A receita de US$ 165 milhões dos embarques em junho representa um crescimento de 73,68% ante o mesmo mês do ano passado e uma elevação de 5,77% em relação a maio de 2010. “O valor contabilizado no sexto mês deste ano já sinaliza uma recuperação das vendas externas de couros, que podem fechar o ano ao redor de US$ 1,7 bilhão”, estima o presidente do CICB.

O executivo salienta que tal receita significa um crescimento de quase 51% em comparação às vendas externas de 2009, aumentando de maneira relevante a contribuição da indústria curtidora no saldo para a balança comercial brasileira, ainda que se situe aquém do patamar das exportações em 2007, o ano pré-crise, quando atingiram o montante US$ 2,2 bilhões.

Os principais mercados do produto nacional em junho foram a China/Hong Kong e a Itália. Os embarques de couros nestes seis meses do ano representam 1% de todas as exportações brasileiras, contra 0,7% em 2009.

A retomada das exportações brasileiras, entretanto, ainda é inibida pela supervalorização do real, pelos entraves representados pelo chamado Custo Brasil (pesada carga tributária, elevadas taxas de juros, gargalos logísticos), pela lenta reação de importantes mercados de consumo e, mais recentemente, pelos reflexos da crise europeia.

Para manter sua posição no mercado internacional, a indústria brasileira, uma das maiores exportadoras mundiais de couros, vem diversificando cada vez mais seus mercados e aumentando a oferta de produtos mais sofisticados, de maior valor agregado. Ao mesmo tempo, são reforçadas iniciativas para valorizar cada vez mais o couro nacional no exterior, a exemplo da bem-sucedida campanha Brazilian Leather.

O programa, conduzido pelo CICB em parceria com a Apex-Brasil, agência vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, renovado no dia 5 deste mês, tornou-se uma referência no setor e seus resultados positivos já influenciam expressivamente a imagem do nosso couro e as vendas externas, afirma Wolfgang Goerlich.

“Desde 2000, o ano do inicio do convênio, até 2010, conseguimos aumentar a quantidade dos couros exportados anualmente de 14,6 milhões para 24 milhões, um aumento de 164% e, o que é mais importante: a parcela de couros com maior valor agregado cresceu 279%”, diz ele, lembrando que o número de países importadores do couro brasileiro aumentou de 68 para 90.


A importância do setor para a economia brasileira é de grande relevância. Vale lembrar que a cadeia produtiva do couro, que abrange os setores de curtumes, calçados, componentes, máquinas e equipamentos para calçados e couros, artefatos e artigos de viagem em couro, reúne 10 mil indústrias, gera mais de 500 mil empregos e movimenta receita superior a US$ 21 bilhões por ano.
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