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08/09/2010
O Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) denuncia a ocorrência, cada vez mais frequente, de cancelamentos de navios destinados aos principais portos brasileiros, o que causa prejuízo equivalente a 10% dos embarques de couro, alerta Wolfgang Goerlich, o presidente da entidade, que representa, há 53 anos, as 800 empresas de produção e processamento de couro. “Os armadores responsabilizam as condições precárias e a superlotação dos nossos portos pelo problema; apontam os altos custos e a demora que, muitas vezes, não oferecem mínimas condições para atender os navios nos prazos previstos, razão principal dos desvios das embarcações e dos cancelamentos”, alerta.
Goerlich explica que as empresas de processamento e produção de couro associadas ao CICB sofrem prejuízos com esta situação, agravada nos portos de Salvador/BA, Santos/SP, Paranaguá/PR e Rio Grande/RS. “Os cancelamentos chegam a 20% das já escassas escalas, e os prejuízos por falta de embarque nas datas estabelecidas nos contratos provocam prejuízos diretos estimados entre US$ 150 e 200 milhões, além das perdas de confiabilidade perante os nossos clientes no exterior”, salienta o presidente do CICB. A indústria curtidora brasileira, responsável por 50 mil empregos diretos, depende da exportação para escoar mais de 50% da sua produção e, apesar de todas as dificuldades, contribuiu com significativos 11% para a balança comercial brasileira, nos primeiros sete meses de 2010. “A nossa indústria mobilizou todos os recursos possíveis, desenvolve os maiores esforços para recuperar e aumentar as exportações depois da crise de 2008/2009 e apesar da taxa de câmbio desfavorável e do alto ‘custo Brasil’, tem alcançado resultados extraordinários”, explica Wolfgang Goerlich. Para o presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil constatar agora que grande parte do trabalho foi perdida pelas deficiências na hora do embarque causa profunda decepção. Ele destaca que, caso o País dispusesse de uma infraestrutura adequada, aliada a uma estrutura portuária moderna existiria outra realidade. “Ao invés de exportarmos US$ 1,7 bilhão (previsão para 2010), poderíamos atingir US$ 1,9 bilhão, além de cobrarmos rigorosamente os serviços contratados dos armadores”. Diante da gravidade da situação portuária, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) encaminhou documento a todas as esferas governamentais para alertar sobre o problema. Nele pede soluções urgentes, antes que a indústria brasileira do couro e demais segmentos exportadores sofram mais prejuízos e percam a credibilidade no mercado internacional. |
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