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26/04/2012
Com o objetivo de conhecer o potencial e os métodos de trabalho da indústria de curtumes e iniciar a aproximação de entidades e empresas brasileiras, uma delegação da United States Hide, Skin and Leather Association – entidade que representa o setor coureiro e frigorífico dos Estados Unidos – esteve recentemente no Brasil. O presidente John Reddington e dirigentes de empresas associadas visitaram a unidade da JBS, em Lins/SP, o Centro Tecnológico do Couro, o A. Bühler Curtume e a West Coast, no Vale do Sinos. Eles também participaram de reunião almoço na Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul), em Estância Velha, onde apresentaram o perfil do setor de curtumes norte-americano a empresários gaúchos e manifestaram o interesse em realizar negócios com o Brasil. Segundo o presidente executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, os locais visitados impressionaram os americanos e, oportunamente, uma missão de empresários brasileiros deve visitar as regiões produtoras daquele país para dialogar em torno da realização conjunta de negócios. Com 35 milhões de couros/ano, os Estados Unidos ocupam a quarta posição entre os maiores produtores mundiais de couro, atrás de Índia, Brasil e China. O mercado norte-americano é o terceiro mais importante para o couro brasileiro, depois de China e Itália. O rebanho bovino norte-americano é de 93 milhões de cabeças e o maior volume de abastes é de novilhos (49,2%) das raças Angus e Hereford. Do total de couros processados, 95% destinam-se à exportação a mercados como China, Coréia, Taiwan, União Européia e Japão. Cinco Estados na região central – Texas, Kansas, Colorado, Wisconsin e Nebraska – são os maiores produtores de couro, especialmente wet blue, que representam 30% do total. Nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, grandes frigoríficos mantêm unidades produtoras deste tipo de couro, como JBS, Tyson e National Beef são exemplos. Devido às dificuldades ambientais para aprovação de novas plantas, muitas das unidades existentes estão recebendo ou vão receber investimentos para ampliação da capacidade produtiva. A National Beef, que hoje produz entre 20 mil e 25 mil couros por semana, pretende duplicar a capacidade de produção em breve, fazendo uso também de novas tecnologias. Panorama mundial Na reunião com empresários brasileiros, John Reddington apresentou também um panorama do mercado mundial do couro. O rebanho bovino chega a um bilhão de cabeças e anualmente são abatidas 225 milhões. 27 regiões, em todo o mundo, concentram a produção de couros, que apresentam diferentes qualidade e variação de custos. "A grande demanda mundial mantém elevados os preços do couro", disse Reddington, destacando, além do calçado, os setores de móveis e automóveis como grandes consumidores. A ascensão da classe média nos países emergentes contribui diretamente para o consumo elevado de artigos de couro. "Somente na China, por exemplo, a classe média equivale à população total dos Estados Unidos, que é de 313 milhões de pessoas", explica. Para manter os patamares atuais de produção, a indústria coureira mundial precisa superar alguns desafios, como as preocupações ambientais (que dificultam a abertura de novas plantas de produção), a elevação dos custos de transportes e o aumento da participação dos materiais sintéticos no mercado. A estes fatores, soma-se à redução do rebanho bovino mundial, consequência da opção dos criadores por criar animais maiores e em menor número. "Por tudo isso, os curtumes, em todo o mundo, terão que conviver com uma menor disponibilidade de matéria-prima", disse Clécio Eggers, ex-presidente da AICSul e atualmente voltado à atividade de exportação de couros no Vale do Sinos. Conforme ele, os Estados Unidos já sentem a queda: de janeiro a março deste ano, os abates tiveram redução de 5%. |
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