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03/07/2012
Um dos maiores especialistas em varejo no Brasil, Marcos Gouvêa de Souza, destacou em sua palestra realizada no último dia 28, durante a Francal, que o varejo está cada vez mais globalizado. Segundo o consultor, a internacionalização atinge principalmente os países emergentes e eleva o nível de competitividade devido o crescimento de players que passam a disputar seus mercados. "A nova realidade global atinge todos os segmentos, inclusive o de calçados e vestuário, e exige das empresas novas estratégias de atuação e investimentos em qualificação", enfatizou Gouvêa. Outro fato que vem mudando o cenário do varejo é o aumento da participação da classe médio no consumo. No Brasil, por exemplo, era de 50% em 2003. Em 2011, chegou a 70,2%. “A mutação não é só quantitativa, mas também qualitativa”, define. Embora mantenha alguns comportamentos anteriores, a classe média assume novos hábitos e passa a exigir das lojas mais por menos, o que tem impacto até mesmo sobre o formato dos pontos de vendas”. Gouvêa destacou que com mais recursos e mais informado, o consumidor tem apetite voraz e quer comprar mais e melhor. “As informações de que dispõem o ajudam a tomar uma decisão mais sábia. Antes de ir à loja, ele faz pesquisas em sites de comparação de preço e sabe exatamente onde estão as melhores opções de preço, atendimento, qualidade e variedade de produtos. Nas redes sociais, ele expressa sua satisfação ou insatisfação com o tratamento que recebeu ao comprar”. Nesse cenário, muda até mesma a forma de distribuição. Redes de lojas se especializam para atender o consumidor bem informado, que exige serviços eficientes. De outro lado, lojas de departamentos e hipermercados, como Renner, Riachuelo, C&A e Carrefour, ‘descobrem’ que calçados e vestuário permitem obter rentabilidade maior que a de outros produtos. Assim, dedicam atenção ainda maior ao segmento, intensificando a concorrência. 90% dos produtos que comercializam têm marca própria, o que lhes permite mais competitividade e rentabilidade. "O apetite fica cada vez maior pelos ganhos que a operação permite", explica Marcos Gouvêa de Souza. A moda do Fast Fashion Outro exemplo da reorganização do varejo vem do modelo de Fast Fashion. As lojas passam a trabalhar com reposição mais frequente e pedidos menores, disponibilizando novidades constantemente ao consumidor. As novas opções motivam, excitam e atraem o interesse, principalmente das mulheres, que precisam delas para entrar nas lojas. "O sistema que consagrou a Zara agora é seguido por redes brasileiras, como a Riachuelo", explica o consultor. Para ele, o Fast Fasion veio para ficar, especialmente no varejo massificado, porque amplia a competitividade das empresas. Ciente disso, a Riachuelo já tem 50% dos produtos fabricados em unidades fabris próprias, o que lhe permite produzir com rapidez, em pequenos lotes, e constantemente colocar à disposição dos clientes novidades em todas as linhas de produtos. Para enfrentar as grandes redes e atender com rapidez, sobretudo a classe média, o varejo multiformatos e multibandeiras amplia presença no mercado. Redes que operam com este conceito ganham mercado em todas as regiões. Paquetá, no sul, e Esposende, no nordeste, são exemplo. Arezzo, também: operando quatro formatos e quatro bandeiras, expande-se em todas as regiões. Crescimento do e-commerce Embora as lojas físicas estejam cada vez mais atrativas e diversificadas, o consumidor faz uso da praticidade e comodidade ao comprar - inclusive calçados. No Brasil, entre 2006 e 2011, o e-commerce cresceu 328%, muito acima dos Estados Unidos, por exemplo, onde a expansão foi de 85,75% no período. "O comércio virtual representa de 2,5% a 3% do total de vendas do varejo, o que indica que tem muito ainda a crescer. Só em 2012, deve movimentar R$ 1,6 bilhão", destaca Gouvêa de Souza. As lojas especializadas ampliam seu faturamento a cada ano. A Netshoes, uma
das mais conhecidas, arrecadou R$ 500 milhões em 2011 e para este ano projeta
receita de R$ 1 bilhão. Opera 23 lojas e já chegou à Argentina
e ao México. A Centauro, outra grande do segmento, deve vender R$ 230 milhões
no meio virtual em 2012. A Dafiti, por sua vez, projeta faturamento de R$ 500
milhões este ano, ante R$ 300 milhões de 2011. "As empresas
monitoram o relacionamento com os consumidores e são cada vez mais dinâmicas
em suas operações, inclusive em nichos específicos",
explica. Marcas próprias Tanto as lojas de departamento quanto o varejo tradicional apostam em marcas próprias. Pesquisa feita pela Gouvêa de Souza indica que 64% dos consumidores têm comprado produtos com marcas próprias das lojas e 26% têm interesse por eles, resultado da intensa divulgação feita. "A cabeça do consumidor está sendo feita para aceitar a marca própria do varejista com algo excepcional para ele”, diz. Transformação da loja A transformação da loja com a globalização não
é só visual ou no perfil dos produtos. Está também
na relação com o consumidor. Hoje, cada vez mais, a loja é
ponto de compra, mas também de solução, de atualização,
de integração, de relacionamento e de serviços. "Mais
do que tudo, a loja é ponto de experiências para o consumidor e quem
consegue cumprir todos estes papeis ao mesmo tempo obtém a preferência
dele", enfatiza Gouvêa de Souza, que destaca também a influência
da revolução digital sobre o varejo. No Brasil e em outros países,
a internet e a tecnologia móvel mudam hábitos de vida, renovam conceitos
e influenciam as decisões de compra. Leia também: |
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