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12/02/2020

A NRF 2020: UM RESUMO DOS PRINCIPAIS TÓPICOS DO EVENTO GLOBAL DO VAREJO

Mais uma NRF, desta vez a sua 107ª edição. Chamada de “THE BIG SHOW”, realizada sempre em janeiro em Nova Iorque, nos Estados Unidos, este ano ocorreu entre os dias 11 a 14. Muitos especialistas a tratam como o “mais importante encontro do varejo mundial”. Não resta dúvida quanto a NRF tratar-se de importante evento, mas atrevo-me a afirmar que outros eventos mundiais, com foco no varejo, possivelmente têm sido mais interessantes que a NRF.

Sugiro aos interessados pesquisar pelo menos outros três eventos que estão se destacando pelo lado prático das palestras, pela aplicabilidade do que é apresentado e para quem tem interesse em visualizar o varejo de amanhã e não o varejo de um futuro, ainda, distante.

Não estive na NRF 2020, pois no mesmo período estava participando da feira Couromoda, aliás, repleta de palestras feitas por profissionais do setor abordando diversos temas sobre inovações, tecnologias e dicas num verdadeiro convite para que empresários do varejo repensem seus negócios. O melhor: tudo rolando aqui mesmo, no Brasil, em São Paulo, e com inscrições “gratuitas”.

Além das tradicionais apresentações envolvendo o varejo e sua gestão, este ano a Couromoda apresentou uma loja conceito revolucionária, numa iniciativa com a Data System e com outros vários parceiros: o projeto Varejo Tech Store. Uma loja do futuro. Só que de um futuro próximo, com tecnologias e recursos inovadores já disponíveis no mercado brasileiro.

O sucesso deste empreendimento, que atraiu visitação de mais de 1.200 profissionais do setor, foi tão grande que deverá ser incorporado ao programa da Couromoda para os próximos anos.

Mas, indo ao ponto central deste artigo, o que rolou na NRF 2020?

Excluindo as repetições de conteúdo de anos anteriores, passo a relacionar uma sinopse do que chamou mais a atenção dos que lá estiveram, levantamento com base em notícias do portal da NRF, análises de lojistas, de publicações especializadas e de consultorias internacionais da área:

OMNICHANNEL E AS LOJAS FÍSICAS

E o tema continua, incansavelmente, ano após ano.

Todos estão já esgotados em saber, ou de ouvir falar, que o consumidor está cada vez mais digital em seus processos de compra e de pesquisas do que pretende comprar. Então, mesmo sendo repetitivo, vamos lá:

Para um consumidor que toma decisões acessando várias frentes (digital e física), a loja não pode ficar esperando ser achada por ele.

A loja precisa ser proativa e, também, ser omnichannel, e não ficar alheia a essa realidade.

É fundamental que o varejo físico utilize de forma integrada diferentes canais online e offline, para que o cliente/consumidor tenha uma relação fácil, direta e ampla com a loja em todo o processo de pesquisa, de compra, até a decisão de como ele quer receberá o produto, ou em que loja física quer retirá-lo.

O chão de loja está mudando rápido, tecnologias para lojas físicas estão cada vez mais acessíveis e a loja precisa se atualizar, criar um ambiente prazeroso para que o ponto de venda seja mais um local de experiência de compra, e não só um ponto comercial.

A NRF apresentou resultado de pesquisa realizada com consumidores omnichannel, na qual, um ponto chamou a atenção: 49% declararam que pelo menos 6 vezes ao ano compram, também, em lojas físicas. Sem agir digitalmente, sua loja, física, deve estar perdendo esse potencial.

BANCO DE DADOS

Assunto que mereceu destaque na NRF, a começar pela apresentação do CEO da Microsoft Satya Nadella.

Todos que atuam e acompanham o varejo sabem da importância de se ter um banco de dados organizado, atualizado e adequado à realidade de mercado, formada por consumidores ariscos, informados e exigentes.

Como foi dito na NRF, “os varejistas têm o ativo mais valioso do mercado: os dados dos consumidores”.

Mas, para usufruir dessa “nova riqueza” formada por dados, é necessário que esteja bem organizada, armazenada e administrada de forma a permitir geração de informações úteis para integrar e personalizar ao máximo a relação loja/consumidor, visando a otimização de investimentos e a melhor produtividade possível para o negócio.

A segurança e a privacidade desses dados mereceram atenção e a informação de que no mercado americano as legislações são estaduais. Imaginem a confusão!

Recordo que na Couromoda uma das palestras abordou a Lei Federal 13709/18, conhecida como LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados,) que entra em vigor no Brasil em agosto deste ano, com legislação federal não estadual e com pesadas multas. Informe-se a respeito. Assunto é importante.

MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

Outra pesquisa mostrou que em torno de 60% dos consumidores jovens (os millennials) afirmam que não pretendem adquirir produtos e serviços de empresas que não tenham como objetivo ações sustentáveis. Isso, obviamente, inclui o varejo.

Talvez seja hora de começar a se preocupar com o descarte daquelas montanhas de caixas colocadas na porta da loja como lixo comum.

Embora não seja totalmente novo, nesta NRF ouviu-se de forma mais constante a palavra “re-commerce”, que é o e-commerce de produtos de segunda mão, seminovos e que faz parte da agenda de parcela crescente de consumidores preocupados e envolvidos com meio ambiente e sustentabilidade.

FUTURO DAS LOJAS FÍSICAS E SUA CONVIVÊNCIA COM ONLINE

Apresentações de importantes empresários do varejo reiteraram a crescente pressão que os varejistas enfrentam para atender às expectativas dos clientes e que os consumidores, sem qualquer dúvida, têm muito mais poder e esperam muito mais dos varejistas do que uma simples loja de vendas.

A boa notícia é que para as lojas físicas projeta-se um futuro garantido, pois até os players digitais, hoje, reconhecem a necessidade de locais físicos, para transformarem o futuro de seus negócios numa realidade adequada e lucrativa.

Mas esse futuro pode ser doloroso para os varejistas que não se adaptarem e evoluírem adequadamente.

Assume-se que a inovação no varejo físico está melhorando a experiência de compra.

“Experiência de compra”: termo fundamental para ao varejo físico.

Pesquisa detectou que 60% dos clientes reconhecem o impacto da experiência física na decisão de compras.

No geral, em todas as apresentações reconheceu-se que as lojas físicas continuarão a exercer papel fundamental no mercado, mas devem evoluir e se reinventar, criando experiências para o consumidor e manter relações próximas com as comunidades locais.

RFID: PARA NÃO DEIXAR DE FALAR DE TECNOLOGIA

Lembrando: RFID é uma tecnologia de identificação por radiofrequência (do inglês Radio Frequency Identification).

Tem como objetivo principal melhorar e otimizar processos através da leitura de “etiquetas inteligentes”utilizadas em produtos, equipamentos ou embalagens.

Leitura feita a partir da passagem da etiqueta por um campo de indução eletromagnética, ativando a comunicação entre a etiqueta e os sistemas adotados pela empresa. Essa tecnologia garante a perfeita identificação de uma grande quantidade de dados em poucos segundos, eliminando-se erros, leitores óticos, digitalização, etc.

Também o uso da Inteligência Artificial (IA) e da Machine Learning (ML) receberam os devidos destaques, devido a necessidade premente do varejo utilizar de forma inteligente, racional e adequada seu banco de dados, desde que seus registros sejam de qualidade.

Assim, espero ter contribuído para quem se interessa em atualização mundial, sem querer esgotar em poucas linhas um evento que superou 400 palestras.
Grande abraço e ótimo ano de vendas!

Airton Manoel Dias
Diretor do Fórum Couromoda
Consultor e Palestrante