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05/06/2019

Abicalçados renova convênio com Apex-Brasil; R$ 30 milhões para promoção internacional

A tradicional coletiva de imprensa da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) na 51ª Francal, em São Paulo/SP, foi marcada por uma notícia positiva para o setor calçadista brasileiro. Na ocasião do encontro com jornalistas, realizado ontem (4), foi anunciada a renovação de convênio para a manutenção do programa Brazilian Footwear, realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O presidente do Conselho Deliberativo da Abicalçados, Caetano Bianco Neto, ressaltou que a ausência do presidente-executivo da entidade, Heitor Klein, se deu por motivo nobre. "Nosso executivo estava vindo para a feira quando precisou mudar de rota, para Brasília, pelo motivo de assinatura do convênio com a Apex-Brasil. É uma notícia auspiciosa e que enche o setor de ânimo", comemorou. Segundo Haroldo Ferreira, diretor-executivo da Abicalçados, serão R$ 30,8 milhões investidos em ações comerciais e de promoção internacional nos próximos dois anos. Desses, R$ 16 milhões são provenientes da Agência e R$ 14 milhões são contrapartida das empresas participantes do Programa. Esse valor é investido em ações de internacionalização do calçado brasileiro, com foco nos mercados-alvo dos Estados Unidos, Peru, Reino Unido, França e China. Além desses, serão realizadas ações na Itália.

Saudando a notícia de renovação do convênio, o presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala, ressaltou que a informação injeta ainda mais ânimo a expositores da feira. "É uma notícia muito importante e sabemos que não foi um trabalho fácil para se chegar até aqui", disse, ressaltando a história de parceria entre Abicalçados e Apex-Brasil.

Mercado
Trazendo dados do varejo de calçados, o presidente da Associação Brasileira dos Lojistas e Calçados e Artefatos (Ablac), Marcone Tavares, destacou que o 0,5% de incremento no trimestre – dado mais atual – não foi de todo ruim, "dado o quadro da economia nacional". Segundo ele, com a expectativa das reformas, especialmente a previdenciária, o mercado deve retomar a confiança e a roda da economia voltar a girar, recuperando as perdas ainda no segundo semestre de 2019. "Temos uma população disposta a consumir. Tendo as contas públicas em ordem e a confiança restabelecida, o setor deve voltar a crescer em breve", projetou Tavares, ressaltando que "o varejo nunca esteve tão confiante como agora".

O dirigente lojista, que é diretor comercial de uma rede de 21 lojas no Sergipe, destacou que o consumidor brasileiro mudou, está mais exigente, mas segue disposto a consumir calçados. "Hoje se busca mais do que produto, se busca experiência. A Francal entendeu essa mudança muito bem e trouxe para a feira muito conteúdo sobre o tema", comentou Tavares.

Para Abdala, a Francal, mais uma vez, assume o compromisso de ser a alavanca das negociações para o segundo semestre. "Mais cedo, tivemos uma reunião com lojistas e eles se mostraram satisfeitos com a feira", comemorou, acrescentando que, no primeiro dia, o evento registrou uma visitação 12% maior em relação ao ano passado.

No mercado externo, o empresário ressaltou que a elevação do dólar ajuda na formação de preços competitivos, mas que o mais importante é a retomada de mercados importantes, especialmente nos Estados Unidos. "Essa briga comercial entre os Estados Unidos e a China fez com que os importadores de lá mudassem seus fornecedores. Em cinco meses, a importação de calçados chineses pelos Estados Unidos caíram mais de 70%. E o Brasil é um fornecedor excelente para abocanhar essa oportunidade", disse. No quadrimestre, as exportações de calçados brasileiros para os Estados Unidos aumentaram 37% (para US$ 69,8 milhões), ao passo que as exportações totais caíram 0,1% (para US$ 343,8 milhões).

Abdala também chamou a atenção para o Programa Importador, realizado durante a feira. A iniciativa trouxe 38 compradores de 16 países e tem a gestão da Abicalçados, que acompanha os importadores em reuniões de negócios durante todos os dias da mostra paulista. "Estamos qualificando a vinda de importadores. Antes, muitas vezes, o pessoal ficava solto na feira. Agora, a equipe da Abicalçados os acompanha em reuniões com expositores, otimizando os negócios", destacou. A expectativa é de que, por meio do projeto, sejam comercializados mais de 300 mil pares de calçados.

Números atualizados do setor
* De janeiro a abril, o setor exportou 44,16 milhões de pares por US$ 343,8 milhões, incremento de 9,4% em pares e queda de 0,1% em dólares. Os principais destinos do calçado brasileiro no exterior são EUA (que segue comprando mais, especialmente em função da Guerra Comercial com a China, que fez com que muitos importadores de lá mudassem os fornecedores com receio de tarifas extras); ARGENTINA (que vem comprando menos desde o segundo semestre do ano passado, em função da crise doméstica); e a FRANÇA (que mantém estabilidade, mas importa produtos de menor valor agregado, com preço médio de cerca de US$ 5).

* Segundo o IBGE, de janeiro a abril, a produção de calçados aumentou 1,2% em relação ao mesmo período de 2018. Boa recuperação em abril, com incremento de 8,5%.

* Segundo o IBGE, de janeiro a março, as vendas de calçados (em volume) aumentaram 0,5% ante o mesmo período do ano passado.

* Em abril, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), estavam empregadas na atividade 285,6 mil pessoas, 3,7% menos do que no mesmo período de 2018. No final do ano passado, tínhamos 271 mil pessoas, então temos um saldo positivo de criação de 14 mil empregos ao longo deste ano.