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17/10/2016

Cleto Sagripanti, presidente da Confederação Europeia do Calçado, fala sobre a China e a indústria calçadista na Europa

Como mudaram os cenários internacionais do mundo do calçado um ano após a sua nomeação como presidente da CEC?
Os centros de poder político-econômicos de todo o mundo continuam em busca de parcerias e acordos comerciais, a fim de ganhar acesso aos terceiros mercados e facilitar a circulação de seus produtos. Estas estratégias não podem deixar de ter repercussões na indústria calçadista da União Europeia e, muitas vezes, representam uma oportunidade para as empresas da europa empreenderem percursos em novos mercados e alcançarem novos clientes ao redor do mundo. As estatísticas mostram que as exportações de calçado europeu para o mercado extra-UE aumentaram significativamente nos últimos cinco anos, tanto em termos de número de pares quanto de valor, embora esta tendência positiva tenha diminuído ligeiramente em 2015 devido à situação econômica e política na Rússia, bem como por conta da depreciação das moedas de alguns dos nossos principais parceiros comerciais.

A China representará cada vez mais uma oportunidade para as empresas europeias e, particularmente, para as italianas?
Certamente a China permanece um mercado vasto e rico mercado em oportunidades para as marcas europeias. O bem-estar econômico dos consumidores chineses continua a crescer, particularmente em áreas geográficas específicas e, apesar da crise econômica e da desvalorização das moedas, eles continuam a gastar. Todavia, podemos observar uma mudança nestas despesas. Os consumidores se tornaram mais seletivos e sofisticados em suas escolhas e procuram valor, não produtos econômicos. Eles estão passando do produto de massa aos produtos premium e, nesta área, as marcas estrangeiras ocupam uma posição privilegiada. 

Os consumidores chineses são “brand addicted” e muitos deles permanecem leais a algumas marcas. As marcas europeias, portanto, devem continuar a promover e a reforçar a sua gama de produtos e valor agregado para atrair a atenção deles. Além disso, como você sabe, as taxas de importação na China caíram no ano passado e podem cair ainda mais nos próximos meses. É óbvio que a China representa uma oportunidade que não pode ser desperdiçada pelas empresas europeias, e em particular para as empresas italianas.

Qual é a situação dos acordos comerciais da UE e terceiros países?
Estamos seguindo ativamente as negociações relativas aos acordos comerciais entre a UE e os terceiros países para garantir que sejam respeitados os termos do comércio justo e as barreiras tarifárias e que as não tarifárias sejam abolidas. Além disso, não queremos somente facilitar o acesso dos nossos produtos aos países fora da UE em condições justas, mas também ‘exportar’ os elevados padrões que distinguem os nossos sapatos.

Em um mundo globalizado, onde os consumidores têm acesso a produtos em escala mundial, todas as empresas (independentemente do país onde eles produzem), deveriam respeitar as normas mínimas ambientais, sociais e de segurança, relacionadas à produção. Este padrão deveria ser um requisito mínimo para todos os continentes.

Existem estratégias de re-shoring na Europa?
Certamente, sim. As empresas europeias que deslocaram a sua produção para a Ásia na década de 90 estão trazendo gradualmente suas produções para a Europa. E as motivações econômicas que inicialmente deram impulso a esta estratégia (o aumento dos salários em certos países Asiáticos, os custos de transporte, etc...) estão dando lugar a uma atitude que é muito mais "sensível" em relação às questões sociais e de sustentabilidade ambiental. Portanto, as marcas desejam controlar melhor a cadeia de abastecimento, graças à proximidade.

Há muitos exemplos como este vindos de vários países da Europa. O "Made in UE" está se tornando muito popular. Além disso, vários governos nacionais do Norte e do Sul da Europa empreenderam iniciativas para reforçar a produção local e promover as suas culturas e indústrias, e os consumidores estão felizes em comprar "produtos locais", ou seja, produtos que respeitam os padrões de segurança, de proteção ambiental e de responsabilidade social. É desagradável ver que a rotulagem de origem obrigatória, atualmente bloqueada por certos Estados-Membros da UE, não seja ainda uma realidade na Europa e que os consumidores continuem a ficar confusos por causa da desinformação utilizada em relação aos nomes e às embalagens dos produtos, em que as empresas fraudulentas declaram uma origem europeia falsa.

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