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16/08/2019

Contrabando de calçados na Rússia supera a produção nacional e praticamente se equipara à importação legal

Os números das importações ilegais de calçados na Rússia superam os da produção nacional. Não só: estão perto de se equipararem à importação legal. O fato foi constatado por estatísticas fornecidas pela fabricante calçadista russa Unichel, em apoio a uma mensagem de vídeo que funcionários da empresa enviaram ao presidente russo, Vladimir Putin.

Os trabalhadores da Unichel pedem para Putin “intervir o mais rápido possível para acabar com a importação ilegal de calçados”, porque “ameaça a sobrevivência da empresa” e, assim, “coloca em risco seus empregos”.

Os funcionários continuam: “Neste período, de acordo com várias estimativas, a parcela de mercadorias contrabandeadas subiu para 40-50%. O governo e as agências de segurança não seguem suas instruções, porque, segundo eles, para implementar seus decretos é necessário modificar uma série de atos legislativos”.

Segundo a Unichel, o volume do mercado de calçados da Rússia é de cerca de 500 milhões de pares: 100 milhões são declaradamente produzidos na Rússia, enquanto cerca de 30 milhões são de produção não declarada.200 milhões de pares é o volume de importações regulares, enquanto aproximadamente 150 milhões de pares, mais de um par a cada três, são resultado de contrabando da China pelas fronteiras do Cazaquistão e do Quirguistão.

“O contrabando gera anualmente 3,5 bilhões de rublos de receita para os produtores”, disse Elena Romanenko, responsável pelo serviço de imprensa da Unichel. As estatísticas da Unichel não são tão distintas daquelas reportadas pela revista Kommersant, citando o estudo Brand Monitor.

Na Rússia, as vendas anuais de bens de luxo falsificados teriam atingido 280 bilhões de rublos, em comparação a um volume legal de 250 bilhões de rublos. Portanto, as vendas de falsificados teriam ultrapassado as regulares. O estudo afirma que os principais canais de distribuição de produtos fake são centros comerciais (40%) e feiras de roupas (30%), enquanto uma parte significativa é alimentada por vendas on-line (84 bilhões de rublos), dos quais 25 bilhões são lançados via redes sociais. Entre os produtos falsificados mais comprados estão tênis, jeans e bolsas.

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