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06/04/2015

Ministro Joaquim Levy apresenta detalhes do seu projeto ao LIDE



Levy pede voto de confiança do empresariado e previne que os ajustes serão duros

Durante almoço do LIDE e com a presença de dirigentes/CEOs de 622 empresas que representam 52% do PIB do país, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, falou sobre os ajustes econômicos que são necessários para recolocar o Brasil no caminho do crescimento.

Francisco Santos, presidente do Grupo Couromoda, fez parte da mesa debatedora. Também a convite da Couromoda participaram do encontro, dirigentes dos setores de calçados, beleza e saúde, as três áreas de atuação das feiras do Grupo; representando o setor de calçados estavam presentes Heitor Klein, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Tamer Hajel, diretor-presidente da Francajel, Jorge Bischoff, CEO da Bischoff Creative Group, e ainda o Deputado Federal, Nelson Marchezan Jr. O convidado do setor saúde foi Paulo Henrique Fraccaro, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (ABIMO), e do setor de beleza, João Carlos Basilio, presidente da Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).

João Doria Jr. presidente do LIDE, destacou que o almoço bateu todos os recordes de participantes, tanto de empresários, como de imprensa com 126 jornalistas credenciados. “O ministro tem um grande desafio, que é o de fazer as mudanças necessárias para que a economia do país volte a crescer. A quantidade de empresários presentes nesse almoço/debate mostra o voto de confiança que os empresários estão lhe dando”.

Desde janeiro no cargo, o maior desafio do ministro Levy é promover os ajustes necessários na economia brasileira para que o país volte a crescer. Em 2014, a economia brasileira cresceu 0,1%, o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional quando a economia recuou 0,2%.

Em sua palestra, “Um Programa Econômico para o Brasil”, Levy destacou que as mudanças passam por redução de gastos do governo, ajustes fiscais, realinhamento de subsídios de créditos e a recuperação da produtividade do país.  Para o ministro da Fazenda, o resultado do PIB de 2014 já era esperado e as ações do governo para este ano requerem uma agenda de crescimento: na produção, infraestrutura, logística, ajustes fiscais, energia, queda dos juros e convergência da inflação para a meta de 4,5%.

“O ajuste econômico-fiscal prevê redução de 30% nas despesas do governo, também vamos reduzir as renúncias com foco na retomada da produção industrial, além de fortalecer a nova classe média, assim como aumentar a inclusão social; fatores importantes para a volta do crescimento” relata o ministro Joaquim Levy.

Segundo o ministro, a redução de impostos e contribuições feitas nos últimos anos ajudou o país a chegar ao cenário atual. “Algumas medidas são estruturais, como as regras que alteram o seguro-desemprego. Tais mudanças são a favor de desestimular a rotatividade nas empresas e melhorar a qualidade da oferta de trabalho. O governo está se empenhando para colocar os gastos sociais em um caminho compatível com a realidade e capacidade da economia, pois é preciso realinhar os subsídios aos créditos. Temos que agir rapidamente para voltar a crescer”, enfatiza o ministro.

Levy destaca que o governo está se empenhando, mas é preciso dar os sinais corretos para a volta dos investimentos evitando riscos. “Os ajustes precisam ser feitos para não perdermos ‘investment grade’, também não podemos criar novas despesas sem termos novas receitas e não devemos fazer restrições à livre concorrência”.


Mercado externo: retomada das exportações

Francisco Santos, presidente do Grupo Couromoda, destacou que em 2004 a participação da indústria calçadista no PIB era de 19,2% e hoje está na casa de 13%. O PIB de 2014, por setores, evidência que o grande problema brasileiro está na indústria, com PIB negativo de 3,8%.

A nossa expectativa é que políticas públicas focadas na competitividade e na produtividade da indústria nacional caminhem lado a lado ao esforço de ajuste fiscal. Também sabemos que medidas focadas na competitividade e na produtividade industrial passam por políticas e medidas inovadoras no campo da legislação trabalhista e tributária.

“No mercado externo; onde a nossa baixa competitividade fica mais evidente é importante manter expectativas positivas. Dentre elas, a manutenção do REINTEGRA se faz necessária, ainda que com breve contribuição ao esforço fiscal. Empenhos adicionais vão além do campo de atuação específica do Ministério da Fazenda, mas há de se retomar políticas adequadas para a exportação. Quando se examinam os resultados da exportação em 2014, temos a redução da exportação em 19 importantes setores da indústria manufatureira. O câmbio, nesse momento, é um importante instrumento para melhorar a balança comercial, mas é preciso ir além. Dentro desse cenário, pergunto ao Ministro Levy: Como conciliar o ajuste fiscal – doloroso e necessário – com políticas econômicas, trabalhistas e tributárias capazes de preparar o país para aumentar a renda-per-capita e voltar a crescer de forma vigorosa?”

Segundo Levy, o resultado do PIB mostrou que estamos em uma transição. “Começa a haver recuperação das exportações. No ano passado a contribuição foi neutra, esse ano se espera que ela possa ajudar o setor externo. Ainda queremos aumentar a negociação com o comércio mundial incluindo todos os portes de indústria e também faz parte da agenda de crescimento a maior integração do BNDS com o mercado de capitais”.

O ministro finalizou afirmando confiar no empresário, no seu poder de inovar e de ganhar novos mercados para tornarmos mais competitivos. “O ajuste vai ser muito duro e exigirá esforços de todos”.

Sobre o LIDE
Fundado em junho de 2003, o LIDE - Grupo de Líderes Empresariais tem 1.700 empresas filiadas (com as unidades regionais e internacionais), que representam 52% do PIB privado brasileiro. O objetivo do Grupo é difundir e fortalecer os princípios éticos de governança corporativa no Brasil, promover e incentivar as relações empresariais e sensibilizar o apoio privado para educação, sustentabilidade e programas comunitários. Para isso, são realizados inúmeros eventos ao longo do ano, promovendo a integração entre empresas, organizações, entidades privadas e representantes do poder público, por meio de debates, seminários e fóruns de negócios.

Com a participação direta dos presidentes de todos os associados, o LIDE é uma instituição prática e produtiva, onde todos interagem nos encontros que acontecem no Brasil e no exterior. Ministros, governadores e prefeitos são os convidados habituais a apresentar seus planos de governo. Os presidentes Fernando Henrique, Lula e Dilma também já estiveram no Almoço-Debate. Francisco Santos é membro desde 2004.

Crédito fotos: Fredy Uehara/Uehara Fotografia


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