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16/09/2014

Serra Gaúcha conta com 144 fábricas de calçados e muda perfil da produção

Um dos clusters calçadistas mais tradicionais do Rio Grande do Sul vem mudando seu perfil para se posicionar de modo diferenciado no cenário nacional. A Serra Gaúcha, segundo dados oficiais da Associação Brasileira das Indústrias de  Calçados (Abicalçados), conta atualmente com 144 fábricas de sapatos.

Cinquenta e nove destas empresas estão localizadas em Farroupilha (veja matéria abaixo sobre o município), que responde também pelo maior número de empregos diretos do setor da região: 2.723 de um total de 8.129. As demais fábricas estão distribuídas nas cidades de Picada Café (12), Veranópolis (10), Paraí (09), Nova Petrópolis (08), Carlos Barbosa (07), Gramado (07), Garibaldi (05), São Francisco de Paula (05), Caxias do Sul (04), Nova Araçá (04), Nova Prata (04), São Jorge (04), Guaporé (02), Bento Gonçalves (01), Canela (01), Montauri (01) e Serafina Côrrea (01).

Exportação
Ainda conforme levantamento da Abicalçados, as indústrias calçadistas deste cluster foram responsáveis, em 2013, pelo envio ao exterior de 1,01 milhão pares, que geraram um faturamento de US$ 14,38 milhões. A performance do segmento na exportação no ano passado representa um incremento de 20,74% em termos de volume e de 12,6% no que se refere a valores, no comparativo com 2012, quando foram embarcados 844,45 mil pares, responsáveis por receita de US$ 12,77 milhões.

Apesar dos números positivos na exportação, o segmento local sofre com diversos fatores, como concorrência desleal, principalmente de artigos importados, falta de mão de obra qualificada e o famoso “custo Brasil”, que compreende infraestrutura inadequada, alta carga tributária e legislação trabalhista superada, entre outros fatores.

Mesmo com todos os percalços, os calçadistas da bela Serra Gaúcha continuam apostando na qualidade e em estratégias mercadológicas inovadoras para continuar mantendo a competitividade, tanto no mercado doméstico quanto no que diz respeito às exportações.

Farroupilha diversifica para manter-se competitiva

Conhecido em todo o Brasil como um importante polo produtor de calçados masculinos, em especial os feitos em couro, o município de Farroupilha intensifica uma mudança de perfil iniciada em 2006. Daquele ano para cá, os artigos voltados aos homens foi dando espaço a produtos direcionados às mulheres, segmento reconhecido como muito mais promissor. A matéria-prima natural prioritária também foi sendo, aos poucos, substituída pelos sintéticos, que geram melhor aproveitamento e redução de custos.

Conforme dados do Sindicato das Indústrias de Calçados e Artefatos de Farroupilha (Sindicalfar), a cidade conta hoje com 74 empresas instaladas, entre fábricas de calçados, atelieres e indústrias de artefatos. “Deste total, 38 são associadas”, revela o presidente Ademir Dal Pizzol. Ele lembra que a grande maioria dos empreendimentos da cidade são de médio e pequeno portes, com atuação muito concentrada na Região Sul do Brasil, que compreende os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. “Algumas destas menores chegam até São Paulo. Já as maiores, como Grendene, Terra & Água, Tonin, Bortolossi e L´Hombre, atuam em todo o território nacional e exportam parte de sua produção”, detalha Dal Pizzol.

O presidente do sindicato garante que as indústrias locais buscam sempre alternativas para serem competitivas em suas respectivas áreas de atuação e que falta mais apoio do poder público para fomentar o segmento. “Apesar das parcerias com entidades como Senai e Sebrae, ainda não há uma política para o desenvolvimento do setor na região”, argumenta.

Cocafar garante destinação correta aos resíduos industriais

Oficializada em 2008, a Cooperativa de Resíduos Industriais de Farroupilha (Cocafar) é um exemplo de como a união de empresas em torno de um objetivo comum pode trazer resultados positivos não só para o segmento em específico mas também para toda a sociedade. Centro de triagem, compactação e destinação, a Cocafar recebe os resíduos industriais de associados e também de não associados, garantindo que os dejetos da fabricação industrial do setor na região tenham o menor impacto ambiental possível.  Com a concorrência tão acirrada que avilta preços e padroniza prazos, garantir a gestão ecologicamente correta dos resíduos se apresenta com um importante diferencial mercadológico.

Falta de mão de obra é um dos principais problemas

Entre os principais problemas enfrentados pelo setor na região, o presidente do Sindicalfar, Ademir Dal Pizzol, destaca a falta de mão de obra qualificada, que não se renova no ritmo necessário para a cadeia produtiva. “Os jovens não se interessam em aprender um ofício no segmento calçadista”, relata. Segundo o dirigente, os setores metal-mecânico, malheiro, moveleiro e o agronegócio têm se mostrado muito mais atraente às novas gerações. “O governo federal, em parceria com as esferas estadual e municipal, poderia criar programas de incentivo para que jovens tivessem formação nos segmentos calçadista e malheiro, grandes geradores de vagas e que oferecem poucos riscos aos trabalhadores”, defende Dal Pizzol.

Uma iniciativa deste tipo, somada a incentivos fiscais e tributários para as empresas que empregassem jovens entre 13 e 14 anos, sempre respeitando os estudos e tempo para lazer dos mesmos, poderia reverter a situação atual de falta de profissionais capacitados. “Este é um dos motivos que faz com que muitas empresas do setor aqui da região acabem optando por abrir unidades fabris na Região Nordeste, mais farta em mão de obra disponível”, pondera Dal Pizzol.
 
Sindicato oferece série de benefício aos associados

O Sindicalfar oferece uma série de benefícios aos seus associados. Além da assessoria jurídica, a entidade promove sempre ações que visam o aperfeiçoamento dos empresários do setor, com a realização de palestras, fóruns e eventos diversos. As parcerias com Sebrae e Senai também fomentam a capacitação do segmento e facilitam a presença de empresas da região em eventos como feiras e seminários. “Ainda assim, os custos para os pequenos participarem de feiras e eventos seguem altos”, enfatiza Dal Pizzol.

Nas reuniões mensais do sindicato, os integrantes da associação sempre tratam de assuntos de interesse da categoria, como o e-Social, nota fiscal eletrônica, formação de equipes de venda e gestão em geral.  Estes encontros também servem para a troca de experiências e para o debate de temas relevantes para os empresários.  “Temos na Fiergs uma grande parceira em diversas iniciativas para tornar as empresas da região ainda mais qualificadas e prontas para competir, no Brasil e exterior”, complementa Dal Pizzol.

Por: Mauro Moraes / GBM Comunicação

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