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19/06/2018

SNlC 2018 aborda adaptação das marcas à era digital e às novas tecnologias

Inovação, tecnologias exponenciais, tendências para o mundo dos negócios, inteligência artificial no varejo, realidade virtual e aumentada, interação virtual por voz, esses foram alguns dos assuntos que estão na mente das mais de 250 pessoas que participaram, no dia 13, da 22ª edição do SNIC - Seminário Nacional da Indústria de Calçados. Ocorrendo na Unisinos, o evento promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e patrocinado pela Couromoda trouxe nomes importantes para tratar de temas relevantes para a sobrevivência das marcas em um mundo cada vez mais digital.

Abrindo os trabalhos, o engenheiro, professor, fundador da WTF! School e entusiasta do futurismo, Felipe Menezes, falou sobre a era das inovações exponenciais. “Estamos vivendo a quarta revolução industrial, um momento histórico que podemos ajudar a moldar”, disse, ressaltando a importância de adaptação das marcas aos conceitos da chamada Indústria 4.0, especialmente no que diz respeito aos sistemas ciberfísicos (Internet das Coisas).

Segundo ele, o fato de estarmos passando por essa revolução de costumes e comportamentos, que tem na conexão e integração o ponto mais alto, tornou o produto menos importante do que o serviço e o acesso a eles. Ou seja, as pessoas já não querem a posse, querem poder acessar quando necessário. Menezes citou algumas das empresas que mais crescem no ambiente atual, como Netflix e Airbnb, que estão de acordo com a lógica do acesso. “O consumidor atual também está construindo seu próprio produto. Vivemos uma cultura maker”, falou Menezes.

O palestrante citou, ainda, o desenvolvimento de tecnologias como a impressão 3D e até 4D, que estão cada vez mais acessíveis. “Hoje, o produto é um arquivo que, baixado da internet, pode ser reproduzido em qualquer lugar, gerando menos desperdícios e resíduos industriais”. Para Menezes, a evolução exponencial das tecnologias torna o ambiente desafiador. Mas isso não deve assustar, mas sim, motivar-nos para que nos tornemos protagonistas dessa transformação.

Phygital
Na sequência, o CEO da empresa Pier X, um espaço on-line integrado ao físico considerado o primeiro Marketplace "phygital" da América Latina, Gustavo Schifino, discorreu sobre as mudanças necessárias para a sobrevivência do varejo. Segundo ele, a marca que não entender que vive na quarta Revolução Industrial, que não estiver aberta à disrupção, está fadada ao fracasso. “Vamos ver nos próximos cinco anos o que não vimos nos últimos 50. Precisamos estar preparados, digo nós, imigrantes digitais, que somos de uma outra geração. A geração atual, a dos nativos digitais já está preparada”, disse. Por outro lado, Schifino frisou que, neste momento de disrupção, uma geração não sobrevive sem a outra, precisando dessa dualidade para o sucesso não somente nos negócios, mas nos relacionamentos humanos.

Ilustrando com números de lojas fechadas nos Estados Unidos, o palestrante ressaltou a dificuldade do varejo nessa adaptação. No ano 2000, por exemplo, foram fechadas nove mil estabelecimentos no maior mercado do planeta, número que saltou para 15 mil em 2017. “Existe uma diminuição do fluxo de visitação ao varejo físico e não é porque as pessoas estão consumindo menos, é porque elas estão buscando experiências diferenciadas. Não as tendo, elas preferem a comodidade de resolver a questão com o dedo. Por isso o evento acontece enquanto o e-commerce cresce”, comentou. Segundo o palestrante, o ideal para o sucesso do negócio varejista, é a integração entre os campos físicos e digitais, o chamado “phygital”. Para ele, o físico segue relevante, mas somente quanto tem experiência envolvida na compra.

O ciclo de palestras da manhã encerrou com Vanessa Mathias, consultora de tendências e inovação da White Rabbit, que listou quatro macrotendências para as marcas, especialmente na comunicação com o novo consumidor. “As marcas precisam ter maior envolvimento em causas, ter um propósito firme e comunicar ao mercado”, afirmou. Segundo ela, depois de vivermos a era do “show me the money”, estamos vivendo a do “show me the meaning”, com um consumidor cada vez mais consciente. “As pessoas já sabem o impacto do consumo no planeta, já sabem que para ter um jeans novo é preciso de 11 mil litros de água na fabricação, que para comer 1 kg de carne outros 15 mil litros. Antes essas questões podiam ser escondidas, hoje estão na nossa cara. Então, é preciso transparência na comunicação e, acima de tudo, ativismo e engajamento das marcas”, disse. Para quebrar a resistência de investimento das empresas mais conservadoras, Vanessa trouxe números que apontam que 56% dos consumidores brasileiros preferem comprar produtos de marcas que tenham envolvimento com causas que julgam relevantes, sendo que 22% deles estão dispostos a pagar mais por isso.

Inteligência Artificial
A tarde de conhecimento iniciou com a apresentação do executivo líder da área de Soluções de Indústria para os mercados de Varejo e Indústrias de Bens de Consumo da IBM Brasil, Enio Garbin, que falou sobre o papel da Inteligência Artificial neste novo momento do varejo. Segundo ele, o novo modelo de negócio é, além de e-commerce, mobile. Em 2017, a modalidade de vendas movimentou 6% do total comercializado no mundo, sendo que no ambiente digital essa modalidade respondeu por quase 60% das conversões. “O papel da Inteligência Artificial é fundamental no processo de adaptação do varejo a essa realidade”, comentou, ressaltando que, por outro lado, é preciso ter uma abordagem diferenciada para a criação de uma experiência de interação humana. Garbin citou o case da Watson, que consegue gerar uma interação por voz que entende o perfil e o gosto do consumidor, criando ainda uma base de dados (Big Data) relevante para as estratégias da empresa.

Ainda no tema virtual, o professor e pesquisador de Tecnologias Interativas, Eduardo Zilles Borba, falou sobre como a realidade virtual, especialmente a aumentada, que permite integração entre o físico e o virtual, podem ajudar nos negócios das marcas. Borba frisou que a empresa que não tiver uma imersão virtual ficará para trás no mundo atual. Segundo ele, o investimento não é alto, perto do retorno gerado. Borba ilustrou com cases de sucesso, como o catálogo da IKEA, que usa a realidade aumentada para projetar seus produtos em ambientes físicos, bastando um aplicativo no celular para isso. “A realidade aumentada é um mercado muito promissor, que até 2020 deve movimentar US$ 120 bilhões no mundo”, concluiu.

Sheconomy
Na sequência, o dinamarquês Peter Kronstrom, do Copenhagen Institute for Futures Studies Latin America, tratou da batalha das marcas para conquistar o consumidor. O palestrante listou 14 temas que devem deter a atenção das empresas na contemporaneidade: sociedade em rede, desenvolvimento demográfico, foco em saúde, polarização, globalização, comercialização, individualização, crescimento econômico, sustentabilidade, sociedade do conhecimento, imaterialização, democratização, aceleração e complexidade e desenvolvimento tecnológico. “As marcas têm, em média, oito segundos para ocupar o espaço na mente do consumidor. Por dia, passamos por quatro a dez mil anúncios publicitários, sendo que a maior parte deles nem entra na nossa mente. Então, o trabalho e desafio das marcas é conseguir preencher esse espaço, e o meu conselho é usar autenticidade para isso. É preciso se desnudar cada vez mais para chegar às pessoas”, disse, ressaltando a importância da geração de experiências individuais.

Kronstrom destacou também o que chamou de “Sheconomy”, com mulheres cada vez mais empoderadas, o que deve deter a atenção das marcas. Segundo ele, hoje 85% do consumo dos Estados Unidos é de mulheres. Levando em consideração que a mulher é a principal consumidora de calçado, o pesquisador comentou que é preciso estar atento à oportunidade, apostando em calçados de saltos altos e mais confortáveis, tendências buscadas pela mulher contemporânea.

O pesquisador reforçou, ainda, que as marcas precisam substituir o “storytelling” por “storymaking”, em referência à construção em conjunto com o consumidor. “As empresas precisam ver os consumidores como orquestradores da marca, que podem criar suas próprias experiências transformadoras”, frisou.

A 22ª edição do SNIC encerrou com três talks, que trouxeram os cases de sucesso. Primeiro, Guilherme Masse e Eduardo Hommerding falaram sobre a Dobra, empresa que desenvolve carteiras, camisetas e uma linha de tênis – com um “papel” sintético chamado Tyvek. Em seguida Taís Bellini, da HP, falou sobre o desenvolvimento da interação por voz no varejo. Por fim, Cristiano Chaves, da Arezzo, trouxe cases que evidenciam a importância do humano no atendimento ao consumidor.

O SNIC foi uma promoção da Abicalçados que contou com a curadoria da WTF! School, patrocínios da Couromoda, Francal Feiras, Colorgraf, Unimed Vale do Sinos, e parceria da Unisinos, Plan XP, Abrameq, AbradiRS, ACI, Assintecal e CICB.